Um caminho para o inconsciente

Edázima Aidar

Uma das obras mais importantes que Freud escreveu foi, sem dúvida, “A Interpretação dos Sonhos”. Podemos dizer que depois desta publicação a psicanálise como ciência começou então a tomar cada vez mais força.

Segundo ele, todos os sonhos são sempre invariavelmente uma realização de desejos, de forma aberta ou camuflada.

São muitas as preocupações do dia-a-dia que nos perseguem no sonho. Por exemplo, um exame do qual temos medo (e que no sonho pode ter sido anulado); o conflito com o chefe (que no sonho é agredido fisicamente); ou o amado inacessível (que no sonho se encontra ao nosso lado cheio de paixão).

Os sonhos são reflexos de nosso estado interno e nos mostram nossos desejos de forma disfarçada e simbólica.

Eles denunciam nossos sentimentos, emoções, revelam carências e dificuldades não solucionadas.

Em todo sonho há um conteúdo manifesto (que é o sonho tal qual sonhamos) e outro latente (que constitui o significado do sonhos que a análise revela).

Os sonhos da criança geralmente são mais fáceis de se entender, visto que nos sonhos de adultos o inconsciente se revela de forma mais sutil.. Esse é um dos motivos que faz com que os sonhos pareçam tão estranhos, complicados ou sem nexo.

A censura se encarrega de deturpar o sentido do sonho de tal forma que ele pode parecer irreconhecível.

O resultado pode ser uma misteriosa e confusa consequência de imagens, comparando a um quadro cheio de enigmas.

Um indivíduo que sonha que ficou nu em publico, por exemplo, pode estar tentando lidar com alguma situação embaraçosa em sua vida real. No entanto, é possível, também, que ele esteja tentando colocar para fora aspectos de sua personalidade que reprime.

Os sonhos de morte nem sempre tem o sentido que lhes são atribuídos. Muitas vezes eles podem significar simplesmente o desejo de colocar um fim em algum episódio em nossa vida.

Para analisar um sonho é necessário conhecer a pessoa, o momento emocional em que está e sua história de vida. Mais que isso, esse conhecimento deve ser aliado às associações feitas por esta pessoa, pois sem elas a interpretação é apenas uma hipótese.

Nosso inconsciente está impregnado de emoções fortes. Ele é a sede da paixão, do prazer, ciúme, inveja e desejos em seus estados primitivos. A mente humana é mais complexa do que imaginamos. O que sabemos de nós constitui uma pequena parcela, pois o conteúdo maior se encontra de nós desconhecido,

Sonhar também é uma forma de conhecermos aspectos de nós mesmos que muitas vezes, negamos. O sonho descortina nosso verdadeiro ser e por esse motivo devemos nos recordar sempre deles. Há quem diga que não sonha ou não se lembra de seus sonhos, porém, essas afirmações são ultrapassadas, na medida em que todos nós sonhamos todos os dias.

O que ocorre é que as recordações dos sonhos, sendo frágeis, desaparecem com facilidade se não procurarmos nos lembrar logo que acordamos. Não existem sonhos “bobos” ou sem importância, pois mesmo estes podem se apresentar repletos de informação sobre nosso psiquismo, constituindo-se numa imensa riqueza para nos conhecer melhor.

Edázima Aidar é psicanalista com formação em psicanálise pela Sociedade Campinense de Psicanálise.
Publicado na Gazeta de Piracicaba

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